terça-feira, 15 de agosto de 2017

Omnia fui nihil expedit

Dizem que caiu o Rei de Roma, amor.
Amor, que o Rei de Roma caiu dizem.
Dizem que eu sou o novo Rei de Roma, amor.
Que o novo Rei de Roma eu sou amor, dizem.
Qual é o nome do seu Imperador ?
Lucius Septimius Severus, primeiro africano a conquistar Roma.
Não venho de alazão não, amor. 
Sou de origem púnica e berbere, seu conquistador vem montado em elefantes... 
Há de falar contigo mil línguas falantes: Latim - Grego - Hebraico.
E se por acaso não gostar do sabor dos meus lábios, problema nenhum tem não.
Supergrammaticam !!!
Vingança de Ánibal ???
Sou o rei de Roma Amor e acima da gramática.
Hei de suavemente sussurrar nos ouvidos da cidadela em chamas poesia pura e incandescente,
E se a alma é ser se... Por acaso queres ser minha esta noite e mais  mil noites, 
marcho contigo e te escolho entre toda a gente.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Senhorinha


O poder da mente humana, dizem, é ilimitado, absurdo, divino o seu estado.

E ficam tão estupefatos os mamíferos abestados que quando perceberam que pensavam, desde antigos tempos conceberam num lance de terror supremo: é de Deus criação este fardo.

E não perceberam que a mais elementar essência da Psiquê da multidão, volta-se contra si mesma em forma de construção ou destruição.

A segunda denunciada aqui é a ciência e a razão que levaram a Auschwitz,  Hiroshima e Nagasaki... Eis aí a sua manifestação em toda a sua ilimitada ação. Lembre que por ter coração leve bebê, pego leve com a Psiquê !!!

O primeiro caráter dela é uma senhorinha idosa padecendo de Alzheimer que esquecendo o que é um espelho, olha pra um que lhe é ofertado e o vendo; vê a si mesma contemplando-a a contemplá-la e no espanto profundo deste temer...

Em todo o horror e monstruosidade de não se reconhecer, enxerga como em destorcidos pixels a realidade mentida da tela e diz a si mesma: “Bonitinha ela”.

Feliz Aniversário Dona Mara !!!

Isto espera que gostes das pseudo rimas que começam agora... 

Sem sentido algum, sem desejo de sentido algum, como é do espaço-tempo o infinito e o continuum...
Não é bem poesia, a teoria que segue é experimento do caos... 
Por hora vou misturar poesia com linguagem e ver se consigo incutir pensamentos e imagens na tela de sua mente como se fosse miragem, depois vou misturar poesia com o conhecimento pra disfarçar profundos sentimentos de modo que não notem que carcaça e espírito estão juntos enterrados e por isto quase todos os outros estão doentes e errados, a isto não sei o nome que chamaria, os idiotas chamam razão, onde começa uma e termina outra nunca saberão... 
Que importa  ? É entre nós a comunicação.

A benção fui pedir pra Dona Mara e estando em sua frente estendida as minhas mãos fechadas, abriu-as, como se fossem nada e devolveu a replicada: “Como posso respondê-lo ?”
Espanto sorrateiro, a inteligência psíquica dela era maior que o lixo que me alimento o ano inteiro.
Não a muito cheguei à sala de aula do estado, éramos todos ali flagrados, e ali dezenas de olhos miúdos me espiavam e um olhar de coordenação me espiava a espiá-los, burburinhos fortes estalavam e uma vez no ar se transformaram em séria questão: “Qual é a sua religião ?”

Espanto sorrateiro de novo, faziam uma pergunta boba com a convicção serena de quem arrancaria verdades de um sobrevivente Marteiro de prova de fogo.Tarde fria Dona Mara não deu tempo de pensar em uma resposta só minha, as sinapses neurais agudas quiseram agora a tua; resposta que ouviram da boca da Senhorinha:“Eu não tenho religião alguma, tenho tão somente um grande respeito por todas às religiões."

Aplaudiram como se eu fosse um homem !!!
Aplaudiram como se o EU existisse de verdade !!!
Aplaudiram como se estivesse vivo !!!

O Suéter Preto refletiria as vísceras encantadas em seu ente íntegro; se tão somente pudesse rasgar o véu de fumaça. Era vão, dava conta não, nem Erva-Que-Cura... Minha mente era triste e lúcida como uma noite fria e escura.Aplaudiam uma longa e grossa coluna de fumaça preta – efeitos que pensam, conseqüências que sentem...  Nem Pessoa pensou-se Pessoa.

Mas quando falava mil espíritos ancestrais cercavam, eram raios e trovões, cusparada de fogo de antigos negros dragões... Energia vital que animava a fornalha de carne no interior do cofre. Conglomerado complexo de partículas que uma vez somadas pensou estar vivo, viver era um negro e monumento corpúsculo. 
Carbono – Hidrogênio – Oxigênio – Nitrogênio – Fósforo – Enxofre !!!

E pensar que há cem anos atrás seríamos todos escravos, consegue pôr na mente à imagem ? Acorrentados Dragões Alados.

Pode ouvir às correntes ? Asas feridas inertes entremetentes.


Era essa a graça pra Onofre, queria a todo custo ser gás nobre, o que chamaria biografia, não sei se o Big Bang esdrúxulo, foi sua gênese ou seu último capítulo.

Espanto sorrateiro, aplaudiam Fumaça Preta !!!

Mas se pudessem ver a verdade por trás da fumaça preta, o espanto seria deles: a verdade tinha a forma delicada de uma Senhora Negra Sábia.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Retrato de uma Criança Egípcia

A tragédia daquela criança era compreender bem o Deus que amava além...
Quando Rá dizia "faço o que não deveria estar fazendo"...
A criança entendia o que dizia, lia as entrelinhas e as fronteiras do incognoscível.

Sabia que o Deus Sol falava do oculto e do escondido, ao menos das cousas que ele supremo desejante que era, desejava incessantemente manter no oculto e no escondido.
A criança amava quando seu Deus falava... Ouvia atentamente suas falas, pois as considerava sagradas - ouvia atentamente sua Fala Sagrada.

E em sua mente escrevia como em muitos rolos de papiro os mistérios daqueles suspiros -  talvez por isto tenha sido seu Sumo Sacerdote.

Vez ou outra a criança escrevia estes mistérios em seu caderninho, em forma de poesia sinuosa, em forma de hieróglifos. Talvez por isto durante tanto tempo incompreendidos.
 A criança era Sumo Sacerdote - tinha uma Tiara na cabeça !!!


Mas Rá dentre todos que a não compreendiam, era o que mais compreendia (aquele pequeno escaravelho desenhado sempre abaixo do magnânimo disco solar).
Um Deus que compreendia uma criança... Talvez tenha sido essa sua tragédia também.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Ode ao que come seus filhos

Hoje o Tempo surrou-me violentamente... 
E fez isto regido pelo deslizar suave da ponta dos dedos, 
naquela bola de cristal moderna, do homem pós-Verdade, do homem pós-Deus.
Deslizando suavemente no quadrilátero mágico, vi verdades não tão suaves
e fatos talvez nada mágicos, senão naturais.
É como estar sempre atrasado...
É como querer / desejar e já não poder mais; porque o mundo é um deixar de ser.
Porque o querido e o desejado já não é.
Porque o mundo é um vir à ser.
As transformações do Mundo acontecem tão abrupta e fatalmente rápidas,
e a cada instante.
Que não dá tempo de ver nada, não dá tempo de pegar nada.
Por tais razões, bom seria se pudéssemos tirar uma foto;
não de nós mesmos, mas do Mundo.
Sim, pois pra vermos talvez o que perdemos, pra quem sabe a foto contivesse
em si mesma o porquê perdemos.
Mas para tal empreitada filosófica...
A foto é inútil !!!
Porque ela é sempre sobre um mundo que já foi, que já não é.
Um mundo que sendo hoje visto, não sendo de hoje,
só pode existir em nossas mentes e portanto um mundo imaginário.
A foto é só uma expressão do nosso desejo intimo de congelar,
um Mundo que nunca se congela.
Mas as palavras não são assim também ?
Não dão conta das transformações do mundo... 
Só traduzem o desejo e a vontade de parar um mundo condenado ao movimento.
Então o poeta se cala.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Poema em linhas tortas

Escrever ou não escrever... 
Grave Dilema !!!
Escrever é trazer a existência, 
fazer existir.
Minto !!!
O que existe, existe
independente de escrito.
Escrever é só legitimar,
a já existente existência,
e nessa insistência em
procurar significados,
para o Abstrato Profundo.
Meu Bem.
De novo minto !!!
Porque penso que
se mil vezes disser:
Não sinto !!!
Tornar-se-á verdade também.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os “Por que(s)” de meu amor:

Por que não... Se quero tanto.
Por que não... Se com sinceridade é o que mais quero.
Por que não... Se é tão lindo, tão Belo.
Por que não... Se nele está toda a minha felicidade.
Por que não...  Se nele não há maldade.
Por que não... Se é real e não fantasia.
Por que não...  Se tornou-se meu sonho
Por  que não...  Se levará a alegria.

Por que não ???

Não, Por quê ???

O porquê do não ???

Porque na ausência de justificativas do porquê nego este amor, limito-me a responder-me simplesmente:

- Porque Não.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Meu último Texto

Tudo foi uma mentira, 
Foi tudo uma ilusão, 
Sempre fora uma Utopia,  
Fora sempre exacerbadamente idealizado 
em mundo em que o idealizado não existe e o ideal nada mais é do que anátema.
 
Duas Décadas de um verdadeiro Circo de Pulgas,
Uma fuga desenfreada e paranoica de um Monstro de criação própria...


Quando a distancia já era grande surgiu a crença supersticiosa,
Recheada de misticismo irracional e infantil de que não mais seria alcançado,  
Veio o relaxamento o descaso a despreocupação o esquecimento e a libertinagem, 
Talvez por isso não se tenha percebido sua aproximação e chegada repentina, 
Agora porém a hora é avançada e já se faz demasiadamente tarde...

O 15 de Setembro voltou para cobrar a sua conta, 
Portanto o que escrevo hoje derradeiramente nada mais é do que um Epilogo,
Pois com minhas próprias mãos fui autor do meu próprio Apocalipse.

sábado, 12 de abril de 2014

O que é Desistir

Desistir é poder fazer e não querer, 
é abdicar do que já fora conquistado e refazer as mesmas escolhas já feitas outrora, 
é mudar as prioridades e por consequência lógica é mudar um Destino já programado,
é lutar pela felicidade, persegui-la além das fronteiras da razão muito alem das terras da lógica,
é ter fé no presente e não se deixar seduzir pela possibilidade de um futuro brilhante, 
porque talvez o brilho não represente a felicidade, talvez ele seja anátema.
É querer estar bem de verdade e fazer o que se ama, 
desistir é insistir e este paradoxo representa uma luta, a incessante luta por aquilo em que se acredita, 
é não querer saber e sim acreditar, uma crença irracional que por vezes beira a loucura.

Desistir de fato é ser louco, 
é permitir que a insanidade te tome por completo. 
É queimar todo "O Príncipe", ignorar Maquiavel, é ser Platônico, 
é querer a vitoria dos fracos sobre os fortes, dos tolos sobre os sábios, 
é ser de Paulo seguidor, é querer a vergonha e não a glória e ainda assim ver a Glória nisso, 
é abrir mão de estar entre os Grandes Capacitados e querer ser um Mero Escolhido, 
é fechar os olhos e simplesmente tornar-se ovelha.
Ao final de tudo, desistir é começar uma nova vida, vida está mais leve, vida esta mais feliz, vida esta mais vida.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Epigrama I

Sinto tua falácia, sinto tuas volúpias escondidas que se expressam no cair da noite, sentindo tudo asseado e tão suave, a noite se admira de tanta empolgação. 

Ali ele se suspende, seus mistérios e seus rochedos flutuantes, supostamente secreto em meus olhos, isolado e solene. 

Folhas de prata reprimem as formas obsoletas, no momento em que se depara: 
Vento fugaz, com seus rutilantes passos - a ponto que cego fico com tanta beleza. 

E a agulha dentre mil farpas se torna pequena para a infinidade dos seus atos.

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