terça-feira, 20 de junho de 2017

Retrato de uma Criança Egípcia

A tragédia daquela criança era compreender bem o Deus que amava além...
Quando Rá dizia "faço o que não deveria estar fazendo"...
A criança entendia o que dizia, lia as entrelinhas e as fronteiras do incognoscível.

Sabia que o Deus Sol falava do oculto e do escondido, ao menos das cousas que ele supremo desejante que era, desejava incessantemente manter no oculto e no escondido.
A criança amava quando seu Deus falava... Ouvia atentamente suas falas, pois as considerava sagradas - ouvia atentamente sua Fala Sagrada.

E em sua mente escrevia como em muitos rolos de papiro os mistérios daqueles suspiros -  talvez por isto tenha sido seu Sumo Sacerdote.

Vez ou outra a criança escrevia estes mistérios em seu caderninho, em forma de poesia sinuosa, em forma de hieróglifos. Talvez por isto durante tanto tempo incompreendidos.
 A criança era Sumo Sacerdote - tinha uma Tiara na cabeça !!!


Mas Rá dentre todos que a não compreendiam, era o que mais compreendia (aquele pequeno escaravelho desenhado sempre abaixo do magnânimo disco solar).
Um Deus que compreendia uma criança... Talvez tenha sido essa sua tragédia também.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Ode ao que come seus filhos

Hoje o Tempo surrou-me violentamente... 
E fez isto regido pelo deslizar suave da ponta dos dedos, 
naquela bola de cristal moderna, do homem pós-Verdade, do homem pós-Deus.
Deslizando suavemente no quadrilátero mágico, vi verdades não tão suaves
e fatos talvez nada mágicos, senão naturais.
É como estar sempre atrasado...
É como querer / desejar e já não poder mais; porque o mundo é um deixar de ser.
Porque o querido e o desejado já não é.
Porque o mundo é um vir à ser.
As transformações do Mundo acontecem tão abrupta e fatalmente rápidas,
e a cada instante.
Que não dá tempo de ver nada, não dá tempo de pegar nada.
Por tais razões, bom seria se pudéssemos tirar uma foto;
não de nós mesmos, mas do Mundo.
Sim, pois pra vermos talvez o que perdemos, pra quem sabe a foto contivesse
em si mesma o porquê perdemos.
Mas para tal empreitada filosófica...
A foto é inútil !!!
Porque ela é sempre sobre um mundo que já foi, que já não é.
Um mundo que sendo hoje visto, não sendo de hoje,
só pode existir em nossas mentes e portanto um mundo imaginário.
A foto é só uma expressão do nosso desejo intimo de congelar,
um Mundo que nunca se congela.
Mas as palavras não são assim também ?
Não dão conta das transformações do mundo... 
Só traduzem o desejo e a vontade de parar um mundo condenado ao movimento.
Então o poeta se cala.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Poema em linhas tortas

Escrever ou não escrever... 
Grave Dilema !!!
Escrever é trazer a existência, 
fazer existir.
Minto !!!
O que existe, existe
independente de escrito.
Escrever é só legitimar,
a já existente existência,
e nessa insistência em
procurar significados,
para o Abstrato Profundo.
Meu Bem.
De novo minto !!!
Porque penso que
se mil vezes disser:
Não sinto !!!
Tornar-se-á verdade também.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os “Por que(s)” de meu amor:

Por que não... Se quero tanto.
Por que não... Se com sinceridade é o que mais quero.
Por que não... Se é tão lindo, tão Belo.
Por que não... Se nele está toda a minha felicidade.
Por que não...  Se nele não há maldade.
Por que não... Se é real e não fantasia.
Por que não...  Se tornou-se meu sonho
Por  que não...  Se levará a alegria.

Por que não ???

Não, Por quê ???

O porquê do não ???

Porque na ausência de justificativas do porquê nego este amor, limito-me a responder-me simplesmente:

- Porque Não.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Meu último Texto

Tudo foi uma mentira, 
Foi tudo uma ilusão, 
Sempre fora uma Utopia,  
Fora sempre exacerbadamente idealizado 
em mundo em que o idealizado não existe e o ideal nada mais é do que anátema.
 
Duas Décadas de um verdadeiro Circo de Pulgas,
Uma fuga desenfreada e paranoica de um Monstro de criação própria...


Quando a distancia já era grande surgiu a crença supersticiosa,
Recheada de misticismo irracional e infantil de que não mais seria alcançado,  
Veio o relaxamento o descaso a despreocupação o esquecimento e a libertinagem, 
Talvez por isso não se tenha percebido sua aproximação e chegada repentina, 
Agora porém a hora é avançada e já se faz demasiadamente tarde...

O 15 de Setembro voltou para cobrar a sua conta, 
Portanto o que escrevo hoje derradeiramente nada mais é do que um Epilogo,
Pois com minhas próprias mãos fui autor do meu próprio Apocalipse.

sábado, 12 de abril de 2014

O que é Desistir

Desistir é poder fazer e não querer, 
é abdicar do que já fora conquistado e refazer as mesmas escolhas já feitas outrora, 
é mudar as prioridades e por consequência lógica é mudar um Destino já programado,
é lutar pela felicidade, persegui-la além das fronteiras da razão muito alem das terras da lógica,
é ter fé no presente e não se deixar seduzir pela possibilidade de um futuro brilhante, 
porque talvez o brilho não represente a felicidade, talvez ele seja anátema.
É querer estar bem de verdade e fazer o que se ama, 
desistir é insistir e este paradoxo representa uma luta, a incessante luta por aquilo em que se acredita, 
é não querer saber e sim acreditar, uma crença irracional que por vezes beira a loucura.

Desistir de fato é ser louco, 
é permitir que a insanidade te tome por completo. 
É queimar todo "O Príncipe", ignorar Maquiavel, é ser Platônico, 
é querer a vitoria dos fracos sobre os fortes, dos tolos sobre os sábios, 
é ser de Paulo seguidor, é querer a vergonha e não a glória e ainda assim ver a Glória nisso, 
é abrir mão de estar entre os Grandes Capacitados e querer ser um Mero Escolhido, 
é fechar os olhos e simplesmente tornar-se ovelha.
Ao final de tudo, desistir é começar uma nova vida, vida está mais leve, vida esta mais feliz, vida esta mais vida.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Epigrama I

Sinto tua falácia, sinto tuas volúpias escondidas que se expressam no cair da noite, sentindo tudo asseado e tão suave, a noite se admira de tanta empolgação. 

Ali ele se suspende, seus mistérios e seus rochedos flutuantes, supostamente secreto em meus olhos, isolado e solene. 

Folhas de prata reprimem as formas obsoletas, no momento em que se depara: 
Vento fugaz, com seus rutilantes passos - a ponto que cego fico com tanta beleza. 

E a agulha dentre mil farpas se torna pequena para a infinidade dos seus atos.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Os Dias Atuais

A ponto de me tresloucar,
De uma vida comum,
Para uma vida de avalanches,
O surrealismo toma forma.

Os dias ensolarados,
Não se comparam com a sobre noite,
A transparência toma conta de tudo,
O medo de ser subjugado...

A alegria de sentir o frio,
De poder entender os motivos,
Os pensamentos mais obscuros,
As gargalhadas sem sentido..

O niilismo chega enfim,
A euforia das mudanças sem fim,
O sol aquecendo meu rosto,
E os calafrios ao continuar pensando..

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Poemeto Lamurioso

Hoje uma dor mortal consome minha alma, pensamentos nefastos de umpassado sombrio regressam da escuridão em que estavam exilados e invadem minhamente já não mais portadora de luz, não são vãs tais lamúrias... Uma única coisa mantém-me vivo: A Esperança !!! Morrendo esta, trará consigo o Fim Definitivo.

sábado, 3 de agosto de 2013

A Deus

Há tempos perdi a fé, talvez por estar na planície nela não é preciso ter fé a razão era o bastante. Porém ousei intentos maiores cujo os caminhos rumo a glória eram além da planície e para o tal era preciso subir por Montanhas Macabras. Pelo que chegando ao alto cume escorreguei e encontrei-me em frente ao Abismo do Caos, a razão falhou-me e foi preciso ter fé pois somente ela me salvaria, então lembrei-me do Amigo de minha Mocidade e em minha angustia tornei a chama-lo, chorando, gritando alto, esperando que ele me ouvisse... Andando mais a frente eu o encontrei, era um Menininho de olhos azuis sentado a beira do precipício; olhou-me nos olhos, secou minhas lágrimas, cessou-me a inquietação e então uma calmaria tomou-me por completo enchendo o meu coração de animo.  O Menininho de olhos azuis que somente é encontrado pelos homens quando estes beiram os Abismos do Caos e encontram a Fé, então num mais caminhar sentado ao chão o encontrarão sorrindo.

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